Caio Plínio Segundo (Gaius Plinius Secundus, do latim) nasceu no ano 23 d.C., em Como1 (Comm, no dialecto comasco2), da junção entre um equites3 romano e a filha do senador4 Caio Cecílio (Gaius Caecilius, do latim). Estudou em Rom
a e iniciou-se na carreira militar na Germânia, aos 23 anos, como oficial de cavalaria, na qual chegou a comandante antes de dedicar-se a escrever e estudar. Era pai adoptivo de Caio Plínio Cecílio Segundo (n. 61 d.C., em Cosme, na Cisalpina5; m. 113 d.C.) – nomeado por Plínio, o Jovem (ou Plínio, o Moço), uma vez que o seu pai e tio era Plínio, o Velho.
Terminou no ano 77 d.C. a composição da Enciclopedia scientifica, mais conhecida por Naturalis Historia (dedicada a Tito Flávio, futuro imperador de Roma, e composta por 37 volumes, a qual envolve curiosidades interessantes sobre locais do Império Romano por onde viajou, através de leituras e observações pessoais. Nessa obra, Plínio pretende compilar vastas matérias, como: geografia, cosmologia, fisiologia animal e vegetal, medicina, história da arte e mineralogia; com o objectivo de reunir toda a informação e Saber do mundo antigo, recorrendo a mais de dois mil livros de 146 autores romanos e 327 estrangeiros.
Para além de Sábio, historiador e naturalista romano, Plínio foi Almirante da esquadra do cabo Miseno6, o que o levou a que, no dia 24 de Agosto do ano 79 d.C., fosse asfixiado por vapores sulfurosos do Vesúvio, resultado do seu profundo interesse pelas ciências, ao ter a infeliz curiosidade de ver de perto o vulcão, assim que foi surpreendido pela sua explosão - uma vez que, até aquela data, a única coisa que havia registado sobre o assunto foram as marcas de queimado no topo do Vesúvio. Assim, juntou uma tripulação de nove homens e embarcaram na perigosíssima aventura de enfrentar o inconstante Vesúvio, na Pompeia (o cientista vivia a 30km desta cidade). Desse trágico momento da história, ficaram apenas os restos de uma cidade completamente destruída (que tinha estado completamente soterrada até descobrirem as suas ruínas no séc. XVI), a qual podemos lembrar visitando o “Jardim dos Fugitivos”, na qual se encontram os restos mortais de pessoas igualmente atingidas pelo Vesúvio e que, só assim, nos foi possível retratar pois as vítimas tinham sido cobertas pelas cinzas do vulcão. A esse local trágico da história dá-se o nome de Pompeia, Herculano e Estábias, pois foi nesse local que todo o episódio de desenrolou.´
Referências:
1- Cidade de Itália situada a 40 minutos de Milão. Podemos referir o “Lago de Como”, bastante conhecido pela sua beleza.
2- Referente ao dialecto utilizado na região de Como.
3- Cavaleiro da Ordem Equestre Romana (ordo equester) formava a mais baixa das duas classes aristocráticas da Roma antiga, estando abaixo da Ordem Senatorial (ordo senatorius); era, no entanto, alguém que pertencia à Alta Sociedade desse tempo, visto esse equites ter casado com uma filha do Senador.
4- Um dos elementos do Senado romano.
5- A República Cisalpina foi um estado fundado pelos exércitos revolucionários franceses, no norte da Península Itálica, que existiu entre 1797 e 1802, com capital em Milão.
6- Miseno é um cabo perto de Nápoles (ver ilustração 2). Na mitologia romana, é um companheiro de Eneias e seu tocador de trombeta. Morreu nas costas da Itália, lançado ao mar por Tritão, que invejou sua arte de soprar a tuba guerreira.
Ilustração 2 Localização de Pompeia, Herculano e Estábias.

Ilustração 3 Jardim dos Fugitivos, em Pompeia.